quarta-feira, fevereiro 28, 2007

E se um dia... (Cap1.5)

Decidiram então ir até outro clube. Era um local habitual, os amigos eram os do costumo. Adivinhava-se mais uma noite normal., embora sempre muito divertida.Entraram na discoteca. Neste dia estava particularmente escuro lá dentro, e muita gente estava irreconhecível pois estava disfarçada. O próprio Leonardo trazia um chapéu de bruxa na cabeça, o que não o tornava irreconhecível, e que por outro lado, até atraía as atenções.
A música estava agradável, e o ambiente acolhedor, não fosse aquela nos últimos tempos a "sua casa da noite".
A noite avançou e o cansaço começou a aparecer. A vida cansativa de treinos e trabalho que levava nos últimos tempos não permitiam que aguentasse muitas horas a dançar.
O bom de uma vida agitada é que não permite pensar muitos nos problemas e o tempo passa mais rápido, mas o mal disso é que também não nos deixa saborear os momentos bons quando eles aparecem.
Eram quase 4h da manhã e os seus amigos começaram a vir embora. A Leonardo já não restava qualquer esperança de ver Inês naquela noite, e até já não estava a pensar nisso. Preparava-se para se despedir do resto das pessoas que estavam junto a si para se vir embora quando ao virar a cabeça viu uns o brilhar dos cabelos claros de uma rapariga que estava junto a si. Estava no meio de um grupo de rapazes todos vestidos de preto, que faziam lembrar os guarda-costas a rodear uma personalidade. Não reparou neles, a sua atenção estava concentrada naquela face que não sabia muito bem se reconhecia.
Também ela estava de preto. O seu cabelo estava solto e tapava uma grande parte da face na posição que ela se encontrava, o que fazia com que Leonardo tivesse ainda mais dificuldade em ver com clareza se era quem ele esperava que fosse. Olhou durante 2 minutos num jogo de olhares indiscretos, como o jogo do gato e do rato, por cima do ombro de uma amiga, sem que a rapariga de cabelos claros, que dançava com uma alegria e à vontade difícil de encontrar, reparasse que estava a ser observada. Continuava em dúvida pois o ponto de vista não privilegiava Leonardo e a vergonha de se dirigir junto dela para perguntar era por demais evidente.
De repente viu chegar vindo da esquerda, como que se tivesse acabado de entrar na discoteca e fosse ter com o grupo de amigos, outro rapaz, também de preto, mas este Leonardo reconheceu imediatamente. Quando Leonardo o viu explodiu de alegria por dentro, não por o ver a ele, mas porque tinha a certeza que aquela rapariga embora ainda de costas era quem ele pensava e desejava que fosse.
A confirmação deu-se segundos depois quando ela se virou para cumprimentar esse rapaz e Leonardo a olhou nos olhos e percebeu que era ela.
Não desviou imediatamente o olhar como seria seu hábito. Observou a sua face de tons claros. Tudo encaixava de maneira perfeita naquela face. As suas maçãs do rosto eram rosadas e com uma saliência que dava vontade de apertar. O nariz encaixava simetricamente entre os olhos e os lábios. Os lábios esses era de um vermelho claro, o que denunciava a ausência de qualquer pintura naquela face o que maravilhava ainda mais Leonardo pois toda a beleza naquela face que o atraía era natural e sem qualquer produto que muitas mulheres tem por hábito acrescentar. Os seus olhos eram os únicos que tinham um pouco de brilho adicional, dado pelas purpurinas que rodeavam o branco e o castanho cor de avelã dos seus olhos. Eles tinham um brilho especial para Leonardo que denunciava uma alma diferente naquela mulher e era isso que o atraía. Costuma-se dizer que os olhos são o espelho da alma, e aqueles transmitiam-lhe que aquela era uma alma especial.A sua vontade de ir ter com ela era tão grande quanto o embaraço e vergonha de não saber o que dizer o que fazia com que os seus sentimentos acabassem por se anular e o deixassem num impasse. Tentava ganhar coragem para falar com ela mas não era capaz. Parecia bela demais, simpática demais, divertida demais e também acompanhada demais, o que retraia ainda mais Leonardo.
- Pode não ser a opção certa, mas é a minha vontade - repetia ele baixinho para si mesmo, tentando convencer-se a si mesmo, mas isso não lhe dava a força suficiente para ir ter com ela.
Demorou poucos minutos até que ela saísse daquele lugar e Leonardo deixasse de a ver. O que o consolava é que o grupo tinha ido todo, e um grupo daquele tamanho não seria difícil de encontrar, e por consequência a ela também.

2 comentários:

  1. Segue sempre a tua vontade..... Só assim se obtêm as respostas.... Beijinhos

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